O sonho de jamais envelhecer

Bastam cinco minutos diante da TV, ou algumas páginas de revista, para notar nossa dificuldade em lidar com o envelhecimento. A indústria de cosméticos lucra bilhões com a promessa de retardar a ação do tempo. Só nos EUA, a receita das maiores empresas do ramo somaram US$ 56 bilhões. Obviamente, esse valor não abrange as milhares de intervenções cirúrgicas feitas todos os anos com a mesma finalidade.

A eficácia dos cosméticos e procedimentos cirúrgicos é algo subjetivo. Você diria que a apresentadora Ana Maria Braga obteve sucesso em retardar o tempo? Você pode ampliar a foto se quiser…

Deu certo?

Deu certo?

Enquanto as brigas Plástica x Tempo ou Cosméticos x Tempo parecem distantes de um vencedor definitivo, a Ciência deu um passo importante, e até assustador, na última semana. Membros do grupo New England Complex Systems Institute (NECSI), em colaboração com o Harvard Wyss Institute for Biologically Inspired Engineering, publicaram, na semana passada, um artigo propondo uma nova abordagem ao entendimento da evolução humana. O estudo, publicado na Physical Review Letters, sugere que estaríamos vivendo consideravelmente menos do que poderíamos viver.

Ao contrário do que as teorias atuais afirmam, a seleção natural nem sempre atua no sentido de escolher a vida mais longa. Frequentemente, ela opta pelo período de vida mais curto quando o ambiente é mais hostil à reprodução e carece de recursos. O resultado disso seria que, nós, humanos, estamos geneticamente condicionados a uma vida mais curta que aquela que poderíamos alcançar, pois ainda carregamos traços genéticos adquiridos na vida pré-histórica, onde o ambiente era menos favorável, e não no atual ambiente do século 21.

A primeira implicação seria que, salvo um apocalipse zumbi, caminharíamos naturalmente na direção de viver cada vez mais, uma vez que a seleção natural reconheceria um ambiente favorável à vida e reprodução.

A segunda seria a de que terapias genéticas poderiam estender nosso tempo de vida e retardar os efeitos do envelhecimento.

Bem, se hoje alguns pais sofrem com os adolescentes de 30 anos, o que os cientistas estão dizendo é que esse problema poderá se agravar e, talvez num futuro não muito distante, teremos os novos adolescentes de 60 anos aporrinhando a vida das famílias…

(tradução e interpretação: Eu mesmo, Rodrigo Botelho Ribeiro)

referências e leituras futuras
  1. Divulgação original do New England Complex System Institute (em inglês);
  2. Link para o artigo citado aqui: Programmed Death (em inglês);
  3. Matéria mais profunda feita pelo Vice sobre este artigo (em português);
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