A imbecilidade não respeita mais ninguém

Uma rápida reflexão a respeito do adjetivo “imbecil”: é pior que xingar a mãe. É tão feio que ninguém o usa de brincadeira. “Ô imbecil!”, ninguém brinca assim. Você pode até dizer “Ah! Vá tomá no cu!” de brincadeirinha, mas não pode chamar alguém de imbecil na zoação. A imbecilidade é assunto sério!

Quem deu recentemente uma declaração séria, pois tratava-se da imbecilidade, foi o escritor italiano, Umberto Eco. Na última quarta-feira (10), ele afirmou o óbvio sobre a democratização trazida pela internet:

“Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel.”

Pausa para outra reflexão. Existe uma diferença entre a observação feita por um intelectual renomado e um pobre coitado como eu, por exemplo. Por mais que ambas conclusões sejam essencialmente as mesmas, o primeiro goza de um prestígio social que o último não tem. A consequência imediata disso é que o óbvio dos gênios e famosos é inteligente e sagaz, enquanto o óbvio do cidadão ordinário é dispensável.

Retomando, é claro que eu concordo com o Umberto Eco. Basta observar a avalanche de comentários e posts venenosos que desfilam impunemente por aí. Os imbecis ganharam um alcance impossível antes da internet. Hoje temos notícia de quase todo comentário preconceituoso jogado aos quatro ventos. Aliás, existem sites especializados em coletá-los. O tumblr Não tenho preconceito, mas… é um ótimo exemplo.

Por outro lado, a segunda parte da declaração do italiano está em xeque.

“[…] mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel.”

O problema é que até mesmo os intelectuais andam a falar bobagem. O que fazer quando até ganhadores de um dos prêmios mais prestigiados do planeta tornam-se imbecis? Se Umberto Eco apostava neles como nossa última esperança contra a imbecilidade, talvez ele tenha se decepcionado ao ler as declarações de Tim Hunt, cientista inglês ganhador do Prêmio Nobel de fisiologia e medicina em 2001.

“Deixem-me contar o meu problema com as mulheres. Passam-se três coisas quando estás no laboratório: apaixonas-te por elas, elas apaixonam-se por ti e, quando as criticas, choram”, afirmou o laureado a alguém que não eu.

Numa tentativa de corrigir-se e desculpar-se, o senhor de 72 anos piorou as coisas com outro comentário sexista:

“[…]é muito importante que se possa criticar as ideias das pessoas sem que o tomem como algo pessoal e, se se põem a chorar, fazem com que se comece a esconder a verdade.”

A internet, obviamente, fez seu papel e deu voz à estupidez do cientista. Além disso, ficou clara outra obviedade: a imbecilidade não respeita prestígio social. Pelo contrário, está impregnada na nossa sociedade há anos e nem mesmo gente considerada excepcionalmente inteligente é imune a ela…


referências:
  1. Notícias Terra
  2. Jornal I – Portugal
  3. English Wikipedia – Nobrel Prize controversies
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s