Feliz aniversário!

Vinte e dois de dezembro. Essa é a data do meu aniversário. O que isso significa? Nada, além do fato que num dia vinte e dois de dezembro, entre todas as coisas que aconteceram no mundo uma delas foi o meu nascimento. Provavelmente, nesse mesmo dia pessoas morreram, pessoas nasceram, acidentes de trânsitos ocorreram, um casal discutiu a relação, outro iniciou uma relação. Resumindo, não há razão alguma para considerar o dia vinte e dois de dezembro um dia especial.

O dia vinte e dois de dezembro tem as propriedades de ser próximo do natal, do fim do ano e, geralmente, vir acompanhado de chuva. Excluído os aguaceiros característicos, o dia vinte e dois de dezembro nasce numa época boa. Festas, fim de ano e todo aquele sentimento de esperança e renovação que sentem, a maioria das pessoas. Segundo manda o figurino, eu também deveria ser inundado por essa sensação. Além disso, eu deveria estar feliz com a chegada do dia vinte e dois de dezembro. Talvez até os cinco anos eu tenha ficado. É a única lembrança que carrego de estar realmente feliz num aniversário.

Mas há algum problema nisso? Então sou rabugento, triste, depressivo ou qualquer outro adjetivo parecido? Creio que não. Só vejo o dia de uma outra maneira. Gosto de encarar o dia do meu aniversário como uma oportunidade para reflexão. Gosto de pensar na minha vida e em como eu a conduzo. “Mais um ano se passou e o que estou fazendo com a minha vida?” é o meu mantra. Acordo me colocando essa pergunta e, geralmente, vou dormir sem respondê-la.
Minha vida é boa, não posso reclamar. Estudo matemática e sou realmente apaixonado pelo que faço. Tenho outras paixões também e felizmente o meu trabalho me permite ter tempo para todas elas. Meu pequeno círculo social me dá muito orgulho. Sou rodeado de gente, das quais mantenho um profundo sentimento de admiração. Tenho muita sorte de poder compartilhar minhas ideias com elas. Agradeço ao acaso todas as noites por ter colocado todas elas no meu caminho.

Pois é, tenho muitos motivos para ficar contente no meu aniversário. Porém, no dia vinte e dois de dezembro não penso somente na minha vida. Penso sobre o mundo. Penso na arrogância que impera, nas milhares de pessoas ruins ocupando cargos importantes e decidindo o destino das outras. Penso que até hoje se morre de fome e de malária. Penso na violência em seus diversos níveis. Desde a violência contra a criança, mulher e homossexuais até a violência gratuita do dia-a-dia. A grosseria, a intolerância, a indelicadeza e a necessidade que temos de subjugar o outro apenas para nos sentirmos bem com nós mesmos. Penso na nossa facilidade de dizer o que o outro pensa e como age ao mesmo tempo que sequer somos capazes de precisar o que sentimos. E então minha sensibilidade não me permite ficar alegre.

Sobre esse vinte e dois de dezembro de dois mil e quatorze, venho pensando num assunto em particular: tristeza. Vinícius de Moraes disse, e muito bem dito: “Tristeza não tem fim. Felicidade, sim.” A tristeza é inerente ao ser humano. Ficamos tristes numa terça-feira cinzenta, ficamos triste com a morte, com a perda em geral e há quem fique triste com futebol. É algo que nos acomete muitas vezes no ano e, em geral, são nesses momentos de reclusão por conta da tristeza que nos colocamos a avaliar nossa postura. Você conseguiria imaginar alguém dizendo:

“Ah, não, cara. Estou feliz pacas hoje e por isso vou ficar aqui em casa curtindo um filme e pensando na vida.”?

A tristeza nos traz a reflexão e também nos trouxe a poesia! Estar triste não é ruim, é natural. Somos sensíveis a todo tipo de estímulo. Sensíveis ao tempo, às cores, às palavras e ao tom no qual são ditas. E às vezes, simplesmente acordamos assim. E aí me pergunto: por que todo esse medo e essa luta? E, pior, por que toda essa intolerância com quem ficou triste?
Pra terminar, deixo aqui as palavras do poeta branco mais preto do Brasil:

Tristeza não tem fim
Felicidade sim…

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar.

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei, ou de pirata, ou da jardineira
E tudo se acabar na quarta-feira.

Tristeza não tem fim
Felicidade sim…

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor.

A felicidade é um coisa louca
Mas tão delicada, também
Tem flores e amores de todas as cores
Tem ninhos de passarinhos
Tudo isso ela tem
E é por ela ser assim tão delicada
Que eu trato sempre dela muito bem.

Tristeza não tem fim
Felicidade sim…

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Um comentário sobre “Feliz aniversário!

  1. fveliq disse:

    parabéns, meu caro. Tanto pelo texto quanto pelo aniversário. fico feliz em ver seus textos refletindo sobre a vida e o cotidiano que nos acomete. Que seja um feliz aniversário em todos os sentidos. Reflitamos

    Curtir

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