Yelling

Como se não bastasse

Como se não bastassem
o amor e a paixão,
o horário e o patrão
tem agora a tecnologia pra apressar o coração!

Pais e filhos na tela dos celulares, declarações de amor ou singelas mensagens nos SMS e e-m@ils.
Rápido! Ultra-rápido! Instantâneo!
E prometeram encurtar distâncias, aproximar as pessoas e, quiçá, trazer a pessoa amada em três dias!

Mas hoje…
É mensagem que não chega.
E-mail que não abre.
É telefone que não vibra.
É computador que não computa.

Malditos sejam esses aparelhos!
Essas operadoras!
Pois ignoram até a pressa natural da alma apaixonada.
Se esquecem que junto dos SMS, e-mails e chamadas trafegam também bytes de esperança, de desespero e outros megabytes de “peito apertado.”

O resultado é o seguinte:
Nos tornamos reféns desse imediatismo, dessa falsa promessa.
Sofremos com beeps ou com a falta deles.
E agora “message not sent“, que do inglês significa “Puta que pariu! Vou morrer!”, vem nos tirar a dignidade.

E vem aí o 4G!
Só falta adjetivo mais veloz que instantâneo…

— Rodrigo Ribeiro

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5 comentários sobre “Como se não bastasse

    • Pedro Franklin disse:

      Tão legal quanto o conteúdo [!] é a fluidez que o texto ganha a partir da segunda estrofe. Não gosto do começo. Não me soou natural ler de uma só vez patrão, coração e paixão. Enfim, é sobre bom ler algo que nos faça refletir e que possa te fazer lembrar de alguma de nossas vidas: minha mãe quase morre todo dia ao pensar que morri porque ao me ligar, meu celular – ligado e com área – informa para ela que está desligado ou fora de área.

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      • R.R. disse:

        Olá, Pedro!
        Primeiramente, obrigado pelos comentários e visita!

        Te falar que eu adoro o começo? Na verdade, esse “poema-crônica” surgiu dessa primeira estrofe que saltou na minha cabeça durante a ida para o IMPA. Anotei no celular mesmo e achei o mais bacana de tudo! Essa coisa de rimar paixão com coração é tão batida e infantil, mas acho que as coisas ficaram bonitinhas.

        O horário e patrão estão ali quase sem sentido, porém a ideia era mostrar que é tudo bagunçado mesmo. Que às vezes assuntos desconexos (ou não) como trabalho e paixão afligem juntos. Não é possível criar um compartimento e deixar tudo devidamente separado (ao menos é isso que acontece comigo.)

        Forte abraço!

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  1. Pedro Franklin disse:

    Obrigado pela explicação, Rodrigo. Não tinha entendido aquela parte, embora, ainda, as rimas não me deixem gostar dela.
    Só agora reparei que o site chama amontoado de ideias. Nome legal que caminha na mesma direção desse poema e de sua explicação.

    Abraço.

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  2. Uni disse:

    Cool poem! Although I wish I could understand the real feeling in Portuguese. Google translate is always helpful not quite perfect I believe. 🙂

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