Estudando diferente!

Depois da discussão sobre a validade, ou não, da lei que reserva metade das vagas nas universidades federais para alunos de escolas públicas, uma pergunta surge naturalmente: putz, e agora?

A pergunta é simples e eu adoraria dar uma resposta mais simples ainda: ESTUDE. Mas talvez eu acrescente mais compartilhando a minha caminhada do pré-vestibular ao doutorado em matemática e como lido, e lidei, com os estudos.

Autocrítica

O conselho mais valioso que recebi na vida, foi do meu tio e professor de Biologia, Silvino. Aliás, se não fosse ele, nem faculdade eu teria feito, para ser sincero. Em uma de nossas conversas, quando eu ainda era aluno do Mais pré-vestibular, ele foi simples e direto: tenha autocrítica.

Levei a sério as palavras dele. A cada simulado eu avaliava o meu desempenho. Mesmo quando havia uma melhora na nota em relação aos simulados anteriores, eu procurava entender o que me levou a obter um resultado melhor. Algumas vezes, não passava de sorte. Chutar e acertar. E isso é perigoso. Você pode ser levado a acreditar que está melhorando, enquanto na prática você só está sendo “sortudo”. Para evitar isso, eu costumava marcar as questões “chutadas” e refazê-las mais tarde.

Foi essa postura de autoavaliação constante que me conduziu a reavaliar meus métodos de estudo. O método padrão de sentar a bunda na cadeira e resolver mil exercícios não melhorava meus resultados e não era compatível com meus níveis de ansiedade e hiperatividade. Assim, fui buscar algo que substituísse ou complementasse essa maneira de estudar.

A solução foi um meio termo entre estudos individuais e estudos “coletivos”.

O estudo individual é insubstituível. Durante esses momentos eu lia e leio muito. Mas sempre em livros. Apostila é pra revisão ou consulta rápida. Nunca me importei com o tempo. Nem mesmo durante a época do cursinho. Lia, revisava, o tempo que fosse necessário até me convencer ter aprendido alguma coisa. Alguns dias os estudos avançavam pouco, outros, eu aprendia muito em pouco tempo.

Talvez você esteja pensando: não dá tempo! existem muitos exercícios e muito conteúdo.

Sim, dá tempo! Hoje é muito mais claro para mim porque é possível conduzir as coisas dessa maneira. A ciência como um todo está conectada. As horas que você emprega estudando, por exemplo, Segunda Lei de Newton, te darão desenvoltura e rapidez de raciocínio. Além disso, o que é mais importante, certamente irá te poupar tempo quando você estiver lendo sobre outros assuntos da física (vários problemas de física envolvem a mecânia newtoniana).

Conectando os pontos

Durante o cursinho eu procurava entender as conexões entre os assuntos. Isso me ajudava a unificar mais os estudos e facilitava a compreensão. Você pode, por exemplo, entender a influência dos prótons sobre os elétrons fazendo uma conexão com a Lei de Coulomb. A força elétrica diminui quando a distância aumenta, logo, os átomos com maiores raios perdem elétrons com mais facilidade pois a força elétrica entre prótons e elétrons é menor.

Você também pode fazer conexões dentro da própria disciplina. Como observar que os recursos naturais de uma região podem influenciar nos processos migratórios. Unindo a geografia física e humana.

O importante é tentar observar as disciplinas como uma só. O homem, em sua história, não parou para desenvolver cada uma das disciplinas. Tudo se desenvolveu em conjunto. E, por mais que possa parecer obscuro, existem conexões entre os mais variados assuntos. Faça suas próprias suposições e procure os colegas, monitores e professores para discuti-las.

Converse! Discuta!

Isso é algo que coloco em prática até hoje. Foi assim durante o cursinho, graduação e mestrado. E provavelmente será assim a minha vida inteira. Depois de estudar individualmente, as dúvidas surgiam naturalmente e era conversando com meus colegas, monitores, professores que eu finalmente tornava os conceitos mais sólidos dentro da minha cabeça. Eu não fazia muita ideia do quão poderoso era esse recurso para o aprendizado, até ter que ensinar outras pessoas. Para ensinar ou mesmo expor a sua dúvida, você precisa organizar o seu pensamento da melhor maneira possível para que o outro entenda. E isso faz uma diferença enorme! Por isso, converse com seus colegas, monitores e professores. Ouvir o ponto de vista deles pode te ajudar a amadurecer suas ideias.

Não tenha medo de conversar com seus colegas ou outras pessoas sobre alguma disciplina. Mesmo que vocês concorram ao mesmo curso. Algo que eu nunca me preocupei foi com os outros candidatos, pois pra mim sempre foi muito claro que, se você for bom uma vaga será sua. Preocupe-se apenas com o seu desempenho. O resto é desnecessário.

E para terminar, deixo uma frase, geralmente atribuída ao Einstein,

Loucura é esperar resultados diferentes fazendo tudo sempre igual

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Um comentário sobre “Estudando diferente!

  1. maickon jansley disse:

    Parabéns, importantes reflexões que contribuem para fortalecer nossos desempenhos acadêmicos diante das dificuldades que encontrarmos!

    Curtir

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